Detetive Columbo

 

Famoso como detetive Columbo, Peter Falk morreu aos 83 anos
Ator, que interpretou personagem por mais de 30 anos, sofreu falência múltipla dos órgãos
O ator Peter Falk, astro da série "Columbo", morreu na madrugada desta sexta-feira (24) aos 83 anos em Beverly Hills, no estado da Califórnia, informaram nesta sexta-feira seus familiares. De acordo com o advogado do ator, ele teve falência múltipla de órgãos e morreu pacificamente. Sabe-se que Falk sofria de mal de Alzheimer e há alguns anos foi julgado mentalmente incapaz pela justiça norte-americana.
Falk nasceu em 16 de setembro de 1927 em Nova York, no seio de uma família judia, com pai russo e mãe tcheca. Aos três anos, um tumor maligno fez com que perdesse um olho. Após ter completado o mestrado em ciências políticas na Universidade de Siracusa e de ter trabalhado como cozinheiro, tentou em vão se integrar à agência americana de inteligência, a CIA. Frustrado, iniciou carreira como funcionário público do estado de Connecticut.
Deixou o cargo em 1957 por sua paixão, a comédia. Iniciou, então, seu trabalho como ator. Como muitos de sua geração, Falk começou no teatro, aperfeiçoando sua arte na escola, no teatro comunitário e em espetáculos off-Broadway. No final dos anos 1950 atuou em produções da Broadway e, pouco depois, passou para Hollywood.Não demorou muito para ele receber duas indicações ao Oscar de melhor ator coadjuvante, por "Assassinato S.A." (1960) e "Dama por Um Dia" (1961), de Frank Capra, com Bette Davis.
Em 1971, conheceu o papel de sua vida: o detetive Columbo, com quem conviveu por mais de três décadas, na série e em filmes feitos para TV. O humor mordaz do personagem, seu eterno sobretudo bege, o Peugeot 403 e o charuto inseparável valeram a Peter Falk sucesso e fama. O olho de vidro do ator se tornaria a grande marca física de Columbo, na medida em que intensificava a imagem esdrúxula e desleixada do detetive.
O primeiro episódio de "Columbo" foi dirigido por ninguém menos que Steven Spielberg, na época com 25 anos. A última vez em que o ator interpretou o papel foi em 2003. Por conta do programa, Falk concorreu dez vezes ao Globo de Ouro, estatueta que ganhou em 1973, e venceu quatro prêmios Emmy, o Oscar da TV norte-americana.
No total, trabalhou em 60 filmes, principalmente os de seu amigo John Cassavetes, entre eles o célebre "Uma Mulher sob influência" (74). Em 1992, em "O Jogador", de Robert Altman, desempenhou seu próprio papel. Outros filmes memoráveis foram "Assassinato por Morte", "Deu a Louca no Mundo", "A Princesa Prometida" e "Asas do Desejo", dirigido pelo alemão Wim Wenders. Seu último trabalho no cinema foi em "American Cowslip", de 2009, ao lado de Val Kilmer.
Há vários anos Peter Falk sofria de Alzheimer. O ator ficou sob a custódia de sua mulher em junho de 2009 depois que um juiz de Los Angeles o declarou incapaz devido a seu quadro de demência. A segunda esposa de Falk, Shera Danese, obteve a tutela do ator após seis meses de batalha legal com Catherine, sua filha adotiva.
Nas audiências, um dos médicos confirmou que ele padecia de demência avançada, não lembrava de seu passado como ator e nem reconhecia sua filha. Falk começou a dar sinais da doença em 2005 e seu estado piorou após se submeter a intervenções cirúrgicas em 2007 e 2008.
Peter Falk deixa sua mulher, Shera, com quem ficou casado por 34 anos, e duas filhas de um casamento anterior.