José Wilker

 

Ator possui mais de 150 trabalhos na televisão, no teatro e no cinema
Um dos artistas mais consagrados do país, José Wilker, 63, está em um período de muitas comemorações. Celebrando seus 50 anos de carreira e com mais de 150 trabalhos na televisão, no teatro e no cinema, o ator está experimentando um novo desafio como diretor de um longa. Prestes a retornar a "Insensato Coração’’ (Globo), na pele do mau-caráter Umberto, ele está comandando as filmagens de "Giovanni Improtta’’, filme que traz de volta o personagem que ele viveu em "Senhora do Destino’’ (2004), de Aguinaldo Silva, e que o tornou ainda mais popular, sobretudo por seus divertidos trocadilhos e pela expressão "felomenal’’, que caiu na boca do povo. "Ele vai continuar sendo aquele desastre [risos]. Mas os objetivos mudaram. Na novela, ele queria se casar com a Maria do Carmo [Susana Vieira]. Agora, ele deseja ser aceito pela sociedade do Rio, cidade tão cheia de contradições quanto ele. É esse olhar que pretendo mostrar com o filme’’, revela Wilker. Consciente de sua importância no universo artístico nacional, o ator opta pela humildade quando o assunto é seu extenso currículo de personagens memoráveis, como o Vadinho, de "Dona Flor e Seus Dois Maridos’’ (1976), o Roque Santeiro, da novela homônima de 1985, e o Zeca Diabo, de "O Bem Amado’’ (2010)."O meu balanço [da carreira] é positivo, porque eu posso contar nos dedos o que eu fiz que me desagradou. E eu nego que tenha feito [risos]. Mesmo assim, o verbo que eu conjugo sempre é o duvidar... Dos meus limites, da minha capacidade, do fato de eu ser ou não eficiente. O tempo todo procuro me reinformar, me reeducar, me reciclar’’, diz. Ainda que pontue mais acertos do que erros, José Wilker defende que as falhas fizeram dele um profissional melhor. "O normal na vida do artista é o fracasso. O êxito é um acidente. Acho que o desastre faz parte do aprendizado. Você se aprimora’’, defende. Apesar de já ter dirigido produções na TV e nos palcos, aventurar-se no comando de um longa-metragem, ele confessa, deu um frio na barriga. "Eu estudo para trabalhar com cinema desde os meus 14 anos. Posso até não ter aprendido, mas estudei [risos]. Meu lado de ator, porém, sempre foi mais solicitado em todas as áreas. No cinema, eu havia sido chamado para ser diretor, mas fiquei amedrontado, pois é algo feito para a eternidade. Daí, de uns cinco anos para cá, fui perdendo o pânico e ganhando descaramento.’’
Em todas as frentes - Após uma rápida participação no início de "Insensato Coração’’, Wilker deve voltar à trama para colocar mais fogo no folhetim. Isso porque, depois da morte de Irene (Fernanda Paes Leme), Raul (Antonio Fagundes) ficará sabendo que o irmão era o pai verdadeiro da moça e que ele manteve contato com Léo (Gabriel Braga Nunes) durante todo o tempo. E pior: que esteve por trás do golpe da barriga que a jovem tentou aplicar em Pedro (Eriberto Leão). No fim, o malvado estará ligado à raiz do crime. "Essa novela é sobre conflitos familiares, e os irmãos Léo e Pedro espelham essa questão, que vem da geração anterior. Ética versus amoralidade’’, justifica o autor Ricardo Linhares. Incansável, o ator está cotado também para estrelar "Fina Estampa’’, próxima a ocupar o horário nobre da Globo. Além dos projetos no cinema e no teatro. "Sempre trabalhei em várias áreas ao mesmo tempo. Não sei como consigo nem se eu deveria. Sou o preguiçoso que mais trabalha [risos]".