Viagem F. do Mar

 

Viagem ao Fundo do Mar teve um filme piloto lançado em 1961 e um livro homônimo escrito por Theodore Sturgeon, com base em manuscritos de Irwin Allen e lançado na mesma época. O filme foi produzido e dirigido por Irwin Allen, motivado após o sucesso de seu trabalho anterior, "O Mundo Perdido" (The Lost World, 1960), com história de dinossauros ambientada na Amazônia brasileira, baseada em obra homônima de Arthur Conan Doyle.

Em Viagem ao Fundo do Mar, um poderoso submarino atômico chamado "Seaview" tem a importante missão de salvar o mundo de uma ameaça da natureza: a incineração do planeta devido a radiação provocada por um cinto espacial recém descoberto. A tripulação é formada por militares e civis que viajavam à bordo do submarino, para realizar pesquisas e missões militares especiais. Seu comando é do Almirante Harrigan Nelson (Walter Pidgeon, de "Planeta Proibido"/1956), juntamente com os demais oficiais, o Capitão Lee Crane (Robert Sterling), o Comandante Lucius Emery (Peter Lorre, de "O Corvo"/1963), a psicóloga Dra. Susan Hiller (Joan Fontaine), a Tenente Cathy Connors (Barbara Eden, da série de TV da década de 60 Jeannie é um Gênio), o cientista civil Miguel Alvarez (Michael Ansara), e o Tenente Chip Romano (o cantor pop Frankie Avalon). O filme foi um grande sucesso e impulsionou Allen a transformá-lo em série de televisão, motivado pelo baixo custo de produção (exigência dos executivos da Fox) e por economizar nos gastos utilizando muito material aproveitado do filme, como cenários e maquetes das naves.

Para a série foram chamados outros atores, com exceção de Del Monroe e Mark Slade, os únicos a participarem de ambas as produções. Monroe era o marujo Kwoski do filme e passou a ser Kowalski na série, um tripulante com bastante destaque em vários episódios. Slade participou apenas do primeiro ano da série como o marujo Malone. Para o papel do Almirante Nelson foi convocado o ator "shakespereano" Richard Basehart, o imediato em comando Capitão Crane, ficou para David Hedison (de "O Mundo Perdido"/1960), o chefe Chip Morton foi interpretado por Bob Dowdell, e o chefe Francis Sharkey ficou para Terry Becker.

A série teve 110 episódios de 50 minutos de duração cada, num total de quatro temporadas, produzidas entre 1964 e 1968. A primeira temporada foi produzida em preto e branco e as histórias são mais científicas e dramáticas, abordando temas de espionagem, sabotagem e thrillers psicológicos. Pressionado para aumentar os índices de audiência, Irwin Allen modificou o estilo dos episódios a partir da segunda temporada. Houve a inclusão de cores e as histórias passaram a ser mais fantasiosas, apresentando uma enorme variedade de monstros de todos os tipos, das profundezas desconhecidas dos oceanos à imensidão do infinito e o inexplorado espaço sideral, além de fantasmas, assombrações e alienígenas hostis. Foi acrescentado também uma nave futurista (a série é ambientada num futuro próximo à sua época de produção, algo em torno de 1980, o que curiosamente já é um passado distante para nós) chamada de "Sub-Voador", responsável pelas missões que necessitavam de maior flexibilidade nas ações, já que é um veículo pequeno que voa e navega sob as águas com a mesma performance.

Viagem ao Fundo do Mar é muito lembrado pelos fãs por seus episódios recheados de situações absurdas, com roteiros inverossímeis, introduzindo uma imensa diversidade de monstros, alienígenas e cientistas loucos, em histórias super divertidas com efeitos especiais toscos. Ou seja, o tipo de histórias que adoramos e que proporcionam o mais puro entretenimento, despertando um saudoso sentimento de nostalgia.

Para exemplificar bem o assunto, vale relembrar um episódio em especial que se encaixa perfeitamente nesse estilo. Trata-se de "O Ataque da Aranha Monstruosa" (The Monster's Web), que tem um título bem apropriado e com o qual já se imagina como será o roteiro. Um submarino de testes está realizando uma perigosa experiência com um novo e poderoso combustível explosivo que permitiria atingir grandes velocidades.

Comandados pelo Capitão Gantt (Mark Richman), o criador do combustível, e seu imediato Chefe Balter (Barry Coe), o submarino sofre um acidente e choca-se contra uma enorme teia de aranha no fundo do mar (!), destruindo parte de seu casco e matando vários marinheiros. O Capitão Gantt salva-se milagrosamente e junta-se aos tripulantes à bordo do Seaview, um submarino nuclear altamente moderno, que foi convocado para averiguar o incidente militar.

A missão do Seaview é resgatar alguns cilindros com combustível que ficaram presos no submarino avariado, antes que os mesmos possam causar alguma explosão no fundo do mar, com conseqüências de extrema gravidade. Sendo assim, o Almirante Nelson (Richard Basehart) parte no Sub-Voador numa missão de resgate, formando um grupo com Gantt e o mergulhador Riley (Allan Hunt). Ao chegarem e recuperarem o combustível, eles são surpreendidos por uma gigantesca aranha aquática, maior que o próprio Seaview, que os ataca e prende o Sub-Voador em suas imensas teias. Uma equipe de mergulhadores do Seaview parte para o resgate, liderada pelo Capitão Crane (David Hedison) e após uma série de aventuras e confrontos com o enorme ser aracnídeo, o monstro peludo submarino (como em todos os episódios, sem exceção) é destruído num ataque com uma arma composta pelo poderoso e devastador combustível em experiência.

Por esse argumento já pode-se notar como eram a maioria dos episódios de Viagem ao Fundo do Mar, ou seja, absurdos mas muito, muito divertidos, com seus monstros de borracha e efeitos especiais deficientes. A aranha submarina é um destaque bizarro, emitindo rugidos como se fosse uma imponente fera e com uma enorme e poderosa teia que foi capaz de capturar um submarino nuclear em alta velocidade. O Seaview e o Sub-Voador são claramente maquetes de veículos aquáticos, mas confesso que gostaria de ser mais um de seus tripulantes e participar junto com o Almirante Nelson e o Capitão Crane das divertidas e perigosas missões especiais, combatendo monstros, alienígenas e cientistas loucos que ameaçam a humanidade.