Route 66/1960

 

Ficha-Técnica

Título: Route 66 (Route 66/1960-64/EUA/P&B)
Criação: Stirling Silliphant
Produção: Herbert B. Leonard, Jerry Thomas, Leonard Freeman, Sam Manners
Elenco: Martin Milner (como Tod Stiles), George Maharis (como Buz Murdock [1960/63]), Glenn Corbett (como Linc Case [1963/64])
Música-Tema: Nelson Riddle
Produtora: Columbia Pictures Television
Prêmios: 2 indicações para o Emmy em 1962 (Melhor Ator para George Maharis; Melhor Desempenho de Atriz para Ethel Waters no episódio "Good Night, Sweet Blues")
Distribuição: Screen Gems
Patrocínio: General Motors
Formato: 116 episódios de 52 minutos em 4 temporadas
Dublagem: Companhia Arte Industrial Cinematográfica - São Paulo (AIC).

A Série

Rota 66 estreou na televisão americana no dia 07 de outubro de 1960. A idéia central – e inovadora para a época – foi rodar cada episódio ao longo da famosa Rota 66. A trama básica é muito simples: antes de morrer, o falido pai do adolescente Tod Stiles deixa-lhe como herança um carro novo e pouco dinheiro. Ao lado do amigo Buz Murdock - um órfão criado no submundo da cidade grande -, Tod inicia sua peregrinação ao longo da rodovia, sempre em busca de trabalho e vivendo em cada localidade situações das mais diversas naturezas.

A série marcou época por conseguir abordar temas sérios sem cair no melodrama. E tudo sempre foi tratado de forma realista. Houveram episódios que focaram doentes mentais, dramas sociais, racismo, violência e até viciados em drogas. De forma proposital, outros episódios tiveram enfoque mais leve.

Tod Stiles foi vivido pelo ator Martin Milner, um americano nascido em 31 de dezembro de 1931, que iniciou carreira ainda muito jovem, no fim dos anos 40.

Para o papel de Buz Murdock a escolha recaiu sobre o ator George Maharis, americano nascido em 01 de setembro de 1928, que iniciou carreira artística no começo dos anos 50.

Martin Milner e George Maharis

A simbiose entre Milner e Maharis foi perfeita. Mas para muita gente, o maior destaque do filme era justamente o carro, um Corvette conversível, que invariavelmente aparecia a cada episódio. O que pouca gente sabe é que a empresa General Motors patrocinava o programa, trocando o veículo a cada ano (embora isso nunca tenha sido explicado na série). Outro fato curioso é que muitos falavam que a cor do carro era vermelha (a série foi produzida em preto e branco), o que não era verdade. O veículo usado por Tod e Buz foi bege claro e até azul, mas nunca vermelho.

Rota 66 primou por não ter – além da dupla principal de atores – nenhum outro ator ou atriz regular durante o andamento da série. Os grandes destaques a cada episódio são as cidades ao longo da rodovia e os astros convidados.

O contraponto apresentado está na personalidade dos personagens principais. Tod é comedido e ponderado. Buz é rebelde e brigão.

Durante a produção da série ficou evidente a preferência feminina por Buz, considerado – além de machão – um homem muito bonito para os padrões da época.

Fatos Marcantes

Rota 66 teve episódios dirigidos por excelentes diretores como Arthur Hiller e Sam Peckinpah. Entre os astros convidados, gente de "peso" como Julie Newmar, Rod Steiger, Buster Keaton, Robert Redford, James Caan, David Janssen, Lee Marvin, Martin Sheen, Willian Shatner, DeForest Kelley, Richard Basehart e Robert Duvall.

Martin Milner

George Maharis

Glenn Corbett
Um dos melhores episódios da série - "Good Night, Sweet Blues" - foi levado ao ar no início da 2ª temporada, em 06 de outubro de 1961, rodado em Pittsburgh, Pennsylvania. A atriz e cantora negra Ethel Walters interpretou Jenny Henderson, que à beira da morte deseja reunir novamente os membros de um conjunto de jazz. O episódio é particularmente forte no ponto de vista psicológico. Tod e Buz passam o tempo inteiro atrás dos membros do conjunto e a situação em que encontram cada um é sempre surpreendente. Ao final, reunidos, começam a tocar para Jenny, que vem a falecer em meio a execução da música. Por seu desempenho, Ethel chegou a ser indicada para o prêmio Emmy, tornando-se a primeira atriz negra na história a ganhar tal indicação.

Durante a produção da 3ª temporada, em 1962, George Maharis foi obrigado a se afastar em função de uma hepatite. Os executivos da produção acharam melhor deixar Martin Milner sozinho durante alguns episódios. O retorno de Maharis foi traumático, já que passou a gerar muitas discussões, talvez com vistas a melhorar seu contrato. Os problemas criados por Maharis fizeram com que fosse substituído nos episódios seguintes.

O ator Glenn Corbett foi o escolhido para ocupar a vaga. Americano, nascido em 17 de agosto de 1930, passou a encarnar o papel de Lincoln "Linc" Case, um desiludido herói de guerra. O público, no entanto, reagiu mal ao novo companheiro de viagens de Martin Milner e a partir daí a audiência começou a cair.

Com 116 episódios filmados em preto e branco, Rota 66 foi cancelada após a conclusão da 4ª temporada, no início de 1964.

O tema da série foi composto por Nelson Riddle e chegou a ser um dos temas mais executados nas rádios americanas.

O Futuro

Depois que a série terminou, muitos previam um futuro brilhante para George Maharis e um futuro não tão brilhante para Martin Milner. E ocorreu justamente o inverso.

Maharis se lançou como cantor, chegou a gravar alguns discos mas não prosseguiu atuando nesse segmento. Em termos de televisão, nunca mais estrelou uma série de sucesso. Suas incursões pelo cinema também em quase nada resultaram. Em 1970 estrelou a série de tevê Jogo Mortal (The Most Dealdy Game), ao lado de Ivette Mimieux e Ralph Bellamy. Exibida no Brasil pela Rede Globo, durou apenas 12 episódios. Em 1973, posou nu para a revista Playgirl. Em 1974, foi flagrado fazendo sexo com um cabeleireiro dentro de um banheiro público de Los Angeles. Os boatos sobre sua homossexualidade afloraram e desde então perdeu boa parte de seus admiradores. Nos anos seguintes, atuou em filmes de tevê e como convidado em séries.

Martin Milner estrelou a partir de 1968 a série Adam-12, que ficou no ar até 1975, totalizando 174 episódios. Em 1975 estrelou outra série, Swiss Family Robinson, com 24 episódios, que foi exibida no Brasil também pela Rede Globo, sob o título de A Família Robinson. Desde então, apareceu como convidado em várias séries de televisão. Em 1998 foi o narrador de um documentário sobre a famosa rodovia 66, intitulado “Route 66: Return to the road with Martin Milner”.

Glenn Corbett teve menos sorte. Depois de Rota 66, também apareceu em filmes de tevê, atuou como convidado em séries mas veio a falecer precocemente em 16 de janeiro de 1993, vitimado por câncer.

No Brasil


Rota 66 foi exibida entre nós pela extinta TV Tupi, na primeira metade da década de 60. Foi reapresentada pela TV Bandeirantes no final dos anos 60 e relançada pela TV Gazeta de São Paulo, ainda com a dublagem original, no final dos anos 80. Há que se lamentar que a Gazeta tenha mostrado somente a 1ª e parte da 2ª temporada da série. Na ocasião, alguns episódios apresentaram riscos e vários outros sinais de má conservação. Nos anos 90, com o advento da TV por assinatura, Rota 66 foi exibida na íntegra, com ótima imagem e dublagem original, pelo canal Sony. Algum tempo depois, saiu do ar em função da modernização da grade de programação do canal.

Um detalhe curioso: na dublagem brasileira, o sobrenome do personagem de Tod não era Stiles e sim Stanley. Outra curiosidade é que o título de cada episódio era mostrado após um breve prólogo, mas a locução da dublagem não o traduzia.