Wilton Franco

 

Wilton Franco (1930 – 2012)
By: Pipoca Moderna
Morreu Wilton Franco, criador do programa “Os Trapalhões”. Ele tinha 82 anos e faleceu na manhã de sábado (13/10), vítima de um derrame, em Penha, em Santa Catarina.

O produtor, diretor, redator e apresentador de TV nasceu em Santo Antônio de Pádua, no Rio de Janeiro, em 25 de julho de 1930. Franco começou a carreira como ator de radionovelas e se firmou como locutor, apresentando programas e fazendo o papel de animador de auditório. “Ele era um rapaz brilhante e logo se tornou uma estrela do rádio”, lembrou Maurício Sherman, diretor-geral do “Zorra Total”, que conheceu Wilton na década de 1950, na Rádio Tupi.

Na função de apresentador, Wilton deixou sua marca num dos mais importantes programas humorísticos do rádio brasileiro, o clássico “Balança, Mas Não Cai”, criação de Max Nunes e Paulo Gracindo, que nos anos 1950 fez muito sucesso na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, antes de ganhar versão televisiva. Tratava-se de um edifício, de apelido “Balança, Mas Não Cai”, onde moravam todos os astros do rádio brasileiro, como dizia seu apresentador original, Wilton Franco, que introduzia cada esquete, como se fosse um fato ocorrido em um dos apartamentos do prédio.

Nos anos 1960, ele se tornou diretor da TV Excelsior. Foi lá que em 1966, criou “Adoráveis Trapalhões”, que reunia Renato Aragão, o lutador Ted Boy Marino e os cantores Wanderley Cardoso e Ivon Cury. Dedé Santana também participava da atração, num papel menor, mas logo começou a se destacar. Wilton ainda acrescentou outro elemento importante no grupo. Em 1969, ele foi assistir a um show do grupo Originais do Samba e se encantou com a capacidade de entreter de um de seus integrantes: Mussum. Foi o nascimento de um novo humorista.

O produtor também esteve à frente da transição dos Trapalhões para a TV Record em 1972, quando o programa ganhou o nome de “Os Insociáveis” e acrescentou Zacarias, outra descoberta de Franco. Com Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, o grupo virou quarteto, mudou-se para a TV Tupi em 1974 e ganhou o nome de “Os Trapalhões”. Três anos e vários filmes depois, o programa estourou na TV Globo, consagrando-se como um dos maiores sucessos do humor televisivo brasileiro. “Os Trapalhões” ainda voltou a ser dirigido por Franco em 1988, que comandou o grupo até 1992.

A importância de Wilton Franco para a TV brasileira não se restringiu ao humor. Ele também criou, em 1965, o programa “Essa Gente Inocente”, na TV Excelsior, que mostrava crianças telentosas, entre elas o futuro cantor e ator Antonio Marcos e a cantora Elizângela. Quando Franco levou a atração para a Record, ainda relevou Ferrugem. Ele dirigiu dois importantes programas de variedades dos anos 1970: as atrações semanais de Hebe Camargo e Moacyr Franco na TV Tupi.
Ele ainda criou, dirigiu e apresentou o polêmico programa “O Povo na TV” em 1979 na TV Tupi, que depois se tornou um grande sucesso do SBT. Tratava-se de um programa de entrevistas sobre temas polêmicos e escandalosos, com direito a fofocas do meio artístico e quadros de defesa do consumidor. Para o time de apresentadores, ele reuniu o ex-galã de fotonovelas Wagner Montes, a apresentadora Cristina Rocha e o comediante Sérgio Mallandro. Havia até um curandeiro, Roberto Lengruber, preso depois por charlatanismo.

Reportagens mostravam as queixas de consumidores mal atendidos, que eram colocados frente a frente com fornecedores de serviços e produtos. A conversa muitas vezes descambava para brigas físicas. Alcançou altos índices de audiência e chegou a ameaçar a Rede Globo no horário. A fórmula de “O Povo na TV” acabou redefinindo o chamado jornalismo de “utilidade pública” na TV. Sua “cria” mais famosa foi programa jornalístico “Aqui e Agora”, do qual Franco foi diretor no SBT, mas variações persistem no ar, exibidas diariamente na TV brasileira.
Wilton trabalhava havia 10 anos como conselheiro do parque Beto Carrero World. Ele passou mal em casa, com um princípio de AVC (acidente vascular cerebral), e não resistiu enquanto era transportado para o pronto socorro da cidade de Penha, no norte catarinense.

“Franco era um diretor ágil e criativo”, lembrou Renato Aragão, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. “Quando um quadro de ‘Os Trapalhões’ tinha algum problema, ele criava soluções na hora. Todos os momentos ao lado dele eram divertidos e maravilhosos. Ele vai fazer muita falta, é uma grande perda”, resumiu o eterno Didi.
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Fonte: http://pipocamoderna.com.br/wilton-franco-1930-2012/211464