Anos Rebeldes

 

Minissérie de Gilberto Braga
inspirada em 1968 - O Ano Que Não Acabou de Zuenir Ventura
e Os Carbonários de Alfredo Sirkis
escrita por Gilberto Braga e Sérgio Marques
colaboração de Ricardo Linhares e Ângela Carneiro
direção de Denis Carvalho, Sílvio Tendler e Ivan Zettel
direção geral de Denis Carvalho
SINOPSE
O cenário é o Rio de Janeiro da classe média e a trama segue o romance entre os jovens Maria Lúcia e João Alfredo, e a trajetória de um grupo de colegas do tradicional Colégio Pedro II, desde 1964, quando se formam e se instala no país o violento regime de ditadura (com prisão, tortura, assassinato e extradição dos opositores), até 1979, altura em que a política governamental terá já influenciado definitivamente os seus destinos.
Maria Lúcia é uma jovem individualista, traumatizada com a história do pai, Orlando Damasceno, um jornalista conhecido e membro do Partido Comunista, que sempre colocou a ideologia acima da realização pessoal. Quando ela conhece João Alfredo, percebe que ele tem o mesmo perfil do pai e tem medo de se entregar à paixão. João, por sua vez, é um jovem de classe média extremamente preocupado com as questões socais do país. Ao se apaixonar por Maria Lúcia, ele fica dividido entre o relacionamento afetivo e a militância política.
O melhor amigo de João, Edgar, também se apaixona por Maria Lúcia e passa a disputar o amor da jovem com João Alfredo. Com perfil oposto ao do amigo, Edgar não se envolve com as questões políticas e prefere investir na profissão e na felicidade pessoal.
Apesar de se amarem, Maria Lúcia e João Alfredo vivem em conflito por causa da política e da ideologia de cada um. O namoro dos dois fica ainda mais difícil quando ele decide entrar para a luta armada. Após muitos encontros e desencontros, os dois acabam se separando definitivamente. Ela se casa com Edgar, e João, perseguido pela ditadura, é obrigado a sair do país.
Entre os companheiros do movimento está Heloísa, filha do poderoso banqueiro Fábio Brito, que ajudou a financiar o golpe militar de 64. De garota rica e mimada, Heloísa dá uma reviravolta em sua vida ao entrar para a luta armada.
ELENCO
núcleos
CÁSSIO GABUS MENDES - João Alfredo Galvão
MALU MADER - Maria Lúcia Damasceno
CLÁUDIA ABREU - Heloísa
MARCELO SERRADO - Edgar Ribeiro
PEDRO CARDOSO - Galeno Quintanilha
JOSÉ WILKER - Fábio Brito
BETTY LAGO - Natália
KADU MOLITERNO - Professor Inácio Avelar
GERALDO DEL REY - Orlando Damasceno
BETE MENDES - Carmem
IVAN CÂNDIDO - Aberlardo
NORMA BLUM - Valquíria
GIANFRANCESCO GUARNIERI - Dr. Salviano
DEBORAH EVELYN - Sandra
RÚBENS CARIBÉ - Marcelo
MILA MOREIRA - Regina
CARLOS ZARA - Queiróz
MARIA LÚCIA DAHL - Yone
ANDRÉ PIMENTEL - Valdir
TUCA ANDRADA - Ubaldo
MARCELO NOVAES - Olavo
ANDRÉ BARROS - Bernardo
PAULA NEWLANDS - Lavínia
MAURÍCIO FERRAZA - Gustavo
MARIA LUIZA GALLI - Jurema
THALES PAN CHACON - Nelson
DENISE DEL VECCHIO - Dolores
GEÓRGIA GOMIDE - Zuleica
TERESINHA SODRÉ - Adelaide
SÔNIA CLARA - Glória
ROBERTO PIRILLO - Capitão Rangel
FÁTIMA FREIRE - Idalina
FRANCISCO MILANI - Inspetor Camargo
ODILON WAGNER - Ralf Haguenauer
CASTRO GONZAGA - Teobaldo
LOURDES MAYER - Marta
STEPAN NERCESSIAN - Caramuru
STELA FREITAS - Dagmar
YAÇANÃ MARTINS - Kira
SILVIA SALGADO - Solange
BENVINDO SIQUEIRA - Xavier
MARIA RITA - Zilá
ZENI PEREIRA - Talita
NILDO PARENTE - Pedro Paulo
CARLOS GREGÓRIO - Alberto
ENRIQUE DIAZ - Pedro
ÉLIDA L´ASTORINA - Ângela
EMÍLIO DE MELLO - Toledo
EDYR DE CASTRO - Zulmira
JONATHAN NOGUEIRA - Guilherme
LEANDRO FIGUEIREDO - José Rodolfo
BERNARDO JABLONSKI - Juarez
MALU VALLE - professora do Colégio Pedro II
MARJORIE ANDRADE - Maria Isabel Soares
FAUSTO GALVÃO - Michael (amigo de Galeno)
CLARA CRESTA - Leila (filha de Dagmar)
PAULO CARVALHO - Sérgio (secretário de Fábio)
Jaqueline


e
SUSANA VIEIRA - Mariana (amiga de Regina)
EVA WILMA - Joana (atriz)
MARIA PADILHA - Maria Satamini (atriz)
MOACYR DERIQUÉM - diretor de teatro
PAULO FIGUEIREDO - Delegado Belloti
MÁRIO CARDOSO - capitão
EMILIANO QUEIRÓZ - Dr. Acir (médico ginecologista)
CININHA DE PAULA - Dona Mariléia (censora)
HERSON CAPRI - comandante
PATRÍCIA NOVAES - amante de Fábio no início
JORGE COUTINHO - Pai Betão (vizinho do cativeiro onde está o embaixador seqüestrado)
NELSON MOTTA - repórter no Festival da Canção
BASTIDORES
Memorável momento da televisão. O fascínio maior estava em trazer de volta os anos 60. No entanto a importância da minissérie está mesmo em revelar ao país a obscuridade dessa década no Brasil, sem ser didática nem formadora de opinião. A luta armada de alguns era narrada junto ao cotidiano daqueles que viveram essa época em total alienção.
Tendo como pano de fundo o caso de amor de João Alfredo e Maria Lúcia, a história mostrou ao país a luta clandestina de grupos engajados politicamente na tentativa de mudar a história do país. Os relatos mesclaram ficção e realidade através do ideal de vida de João Alfredo, jovem preocupado com as questões sociais do país, capaz de colocar a militância política acima de sua felicidade e realização pessoal.
Não deixa de ser irônico que Anos Rebeldes tenha surgido justamente quando aquele que deveria ser o colorário natural deste processo - o primeiro presidente da República eleito por voto direto após 33 anos, Fernando Collor de Mello - se transformou na decepção de milhares de brasileiros.
A minissérie trouxe para a rua os jovens, que exigiram o impeachment do presidente, rejeitando o rótulo de alienados, numa atitude nitidamente inspirada no idealismo de João Alfredo (Cássio Gabus Mendes), transformando numa minoria silenciosa os admiradores de Maria Lúcia (Malu Mader), a namorada individualista do herói.
Uma das cenas mais marcantes da minissérie foi a morte de Heloísa (Cláudia Abreu), morta a tiros de metralhadora por um policial ao tentar fugir do país.
O editor Queiróz, e mais propriamente a sua luta contra o regime militar, foi inspirado em Ênio Silveira da Civilização Brasileira.
Quando Kadu Moliterno foi convidado para fazer a série, seria Nelson, o professor de violão de Heloísa por ela escolhido para perder a virgindade. Mas Marcos Paulo, que faria Inácio Avelar, não pôde fazer, acabando ele com o papel. Para compor o visual do personagem, pela primeira vez deixou crescer barba.
Gilberto Braga inspirou-se na diretora Tetê Medina para compôr Avelar. Na época ela era funcionária do Itamaraty, mas engajada na luta como o professor de História da minissérie. No entanto, ela nega que, como o personagem, tenha utilizado o telex ou a mala diplomática da chancelaria brasileira para denunciar aos jornais europeus crimes cometidos contra presos políticos. "Eu não era louca para mandar denúncias pela mala diplomática", diz. "Elas eram enviadas mesmo, mas por outros meios".
O jornalista Zuenir Ventura cobriu de elogios o cineasta Sílvio Tendler, responsável pelas vinhetas semi-documentais que misturam filmes feitos na época com cenas de ficção rodadas a preto-e-branco. Segundo ele, "Gilberto Braga consegue devolver o valor essencial daquele momento, que é a paixão. E acho que a grande atualidade da série, principalmente para os políticos, é mostrar que a política pode ser ética."
Menos entusiasta, o deputado Alfredo Sirkis, que muitos afirmam ser o modelo que inspirou a personagem de João Alfredo, preocupou-se com a censura vigente na Globo: "Sei que Anos Rebeldes não é uma obra política, mas uma história de amor ambientada nos anos de chumbo. Só que este pano de fundo tem que ser honesto. Não se pode atenuar o terror que foi aquela época, em termos de repressão e cerceamento da liberdade."
Por altura da estréia, Denis Carvalho afirmou: "Não é apenas mais uma simples série, é uma coisa que transcende. Topei o projeto porque percebi a sua importante conotação com o atual momento nacional. Nesses anos rebeldes, o país estava em ebulição, como está agora."
Militantes de esquerda, Bete Mendes, Francisco Milani e Gianfrancesco Guarnieri, do elenco, passaram pelas prisões da ditadura.
Gilberto Braga narrou na minissérie uma passagem acontecida consigo na época em que escrevia Escrava Isaura. O personagem Galeno Quintanilha, de Pedro Cardoso, era um novelista que escrevia uma trama de cunho abolicionista nos anos 70 e foi repreendido por uma censora numa reunião em Brasília. Gilberto de fato passou por essa situação e aproveitou a minissérie para mostrar aos telespectadores as dificuldades pelas quais passavam os autores nos "anos de chumbo".
Destaque para as ótimas interpretações de Cássio Gabus Mendes e Cláudia Abreu, que viveram João Alfredo e Heloísa.
Anos Rebeldes foi premiada pela Associação Paulista dos Criticos de Arte (APCA) com o Grande Prêmio da Crítica e com o prêmio de melhor atriz, para Cláudia Abreu, em 1992.
O tema de abertura, Alegria Alegria de Caetano Veloso, já havia sido usada na abertura da novela Sem Lenço Sem Documento em 1977.
O texto foi lançado em livro, com adaptação de Flávio de Campos, ao mesmo tempo em que a minissérie estava sendo exibida.
A minissérie foi reapresentada de 07 a 31/03/1995, em 16 capítulos, nas comemorações dos 30 anos da emissora. Também reprisada de 17 a 24/01/2005, no Multishow (canal de TV paga pertencente à Rede Globo), em comemoração aos 40 anos da emissora. O Multishow reapresentou a versão internacional de 6 capítulos, com todas as legendas de passagem de tempo em inglês.